Sala de aula

Os primeiros passos para um ano letivo menos conturbado

Escolas particulares começam o retorno das atividades nesta quarta-feira em Pelotas

Divulgação -

Alunos, professores, pais e prestadores de serviço. É toda uma comunidade na busca por entender e vencer os desafios do ano letivo 2021, após um antecessor profundamente incerto. Na última semana, as primeiras escolas retomaram as aulas - em sistema híbrido. A quarta-feira de cinzas (17) marca a volta de mais uma parcela, enquanto as demais retornam na semana que vem.

Na Escola Sesi Eraldo Giacobbe, as aulas voltaram no dia 8 de fevereiro. A primeira semana, explica a diretora Maristela Kellermann, tem sido de entender os processos e encarar os desafios do sistema híbrido com rodízio de turmas. As salas de aula atualmente estão recebendo 15 alunos cada e um curso sobre os cuidados da pandemia foi ministrado para a equipe da escola.

Maristella, porém, entende que as mudanças impostas pela pandemia causaram muitas perdas - naturais dentro do processo - no que diz respeito ao ensino. "É necessário retomar a aprendizagem , além da importância de reaprendermos o convívio social com responsabilidade. Devemos ir retomando de forma gradual e acompanhando como estes jovens irão se adaptando", diz. Atualmente, o Sesi trabalha com aulas presenciais três vezes por semana durante três horas, sendo o restante desenvolvido de forma remota. "O essencial é criar novos jeitos, estratégias, ferramentas e possibilidades de fazer a educação acontecer, porque a função de uma escola na vida de um estudante é estruturante."

Adaptação também para os pais

Veridiana Rodrigues tem dois filhos, Eyshla, de 17 anos, e Isaque, de 13. Enquanto a primeira, que estuda no Sesi, não se adaptou ao modelo remoto, o segundo teve mais facilidade. Entretanto, era o desejo de ambos o retorno presencial - Isaque ainda não voltou.

A mãe conta que essa vontade se deu muito pelas dificuldades que o ano letivo 2020 trouxe, tanto para o aprendizado quanto para o convívio social dos filhos. "Foi algo que eles nunca tinha, passado, totalmente diferente", diz. Segundo ela, no modelo híbrido as aulas online seguirão como o principal desafio - sobram elogios, porém, à preparação do Sesi para o retorno.

Para os prestadores de serviços, ainda incerteza

Se para a direção das escolas e para os pais o retorno ainda é permeado por dúvidas, apreensão e uma dose de alívio, para quem trabalha prestando serviço no setor a situação pode ser ainda mais profunda. Porque envolve um trabalho impossibilitado desde o mês de março, quando as primeiras instituições de ensino anunciaram a interrupção das aulas presenciais como forma de barrar o coronavírus.

Juliana Gervini trabalha com transporte escolar há 13 anos e nunca havia passado por momento tão conturbado quanto foi o ano de 2020. Nem no início da profissão, sempre cheio de incertezas. De um dia pro outro, o serviço parou de ser prestado e a renda mensal ficou comprometida. Reinventar-se foi necessário e ela, junto ao marido, mudou de ramo: passou a vender comida congelada.

O retorno das aulas presenciais, ainda que em formato híbrido, poderia representar o retorno da normalidade para ela. Mas não será. A recomendação do governo do Estado é que não se transporte mais do que a metade da capacidade das vans escolares. No caso dela, seria possível levar oito estudantes. Mas são 16 os contratados anteriormente. "Como que vou escolher apenas metade das crianças para transportar?", indaga. "E também não posso rodar com apenas oito. O custo é alto, não valeria a pena", prossegue.

Por conta da situação, ela preferiu esperar a possibilidade de a pandemia ser minimamente vencida e as normas flexibilizadas. "Eu tenho filhos pequenos e entendo que é arriscado, tanto que optei por inicialmente mantê-los no modelo on-line. Vamos ver como será, talvez retornemos no início de abril", completa. A empresa tem três vans e atualmente opera com uma, circulando apenas nas escolas da Santa Terezinha, bairro onde Juliana reside.

Quem também já voltou

A escola Santa Mônica retomou as atividades na segunda-feira (15). Outras instituições, como o São José e o Érico Verissimo, retornam nesta quarta-feira (17)

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